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O último ônibus para a Lua

Perto da meia-noite, num ponto vazio, uma adolescente de castigo tenta impedir o irmão mais novo de subir num ônibus prateado que não aparece em nenhum horário. Então descobre que ele a levou até ali para os dois encararem o luto que vinham evitando.

Faixa de casting
Samira, 16-19; Eli, 12-15. Os papéis podem ser escalados sem restrição de origem étnica.
Duração
4 min
Dificuldade
Intermediário
Relação
Irmã mais velha e irmão mais novo
Equilíbrio entre os papéis
equilibrado
Local
Um ponto de ônibus deserto pouco antes da meia-noite. O serviço regular terminou, mas um ônibus prateado espera junto ao meio-fio com ÚLTIMO ÔNIBUS PARA A LUA iluminado acima das portas abertas.
Cabeçalho da cena
EXT. PONTO DE ÔNIBUS - NOITE
Avisos de conteúdo
Menção à morte da mãe, Suspense sobrenatural e Discussão entre irmãos
Idioma
Português do Brasil

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Trabalho de cena

O que dá para jogar nesta cena

Objetivo
Samira precisa impedir Eli de subir; Eli precisa mantê-la no ponto até que ela reconheça o convite e tome a decisão com ele.
Obstáculo
O ônibus está ali mesmo sem número de linha nem horário, e cada novo detalhe o liga de forma mais convincente à mãe falecida.
Relação
Samira assumiu o controle de tudo depois da morte da mãe. Eli depende dela, mas se ressente de ficar fora das decisões; quando fala com franqueza sobre a mãe, ela trata o assunto como outro risco a controlar.
O que está em jogo
As portas fecham à meia-noite. Subir pode significar perder Eli num destino desconhecido, mas arrastá-lo embora sem escutar pode aprofundar o silêncio que já os separa enquanto a família deixa a antiga casa.
Virada
Eli revela que o bilhete exige que dois irmãos contem uma verdade cada um e que nunca pretendeu partir sozinho. Samira admite que teme rever a mãe porque talvez não queira voltar.

Idade aparente: 16-19

Samira

Quer: Impedir que Eli suba no ônibus impossível e levá-lo para casa em segurança antes que ele parta à meia-noite.

Enfrenta: O ônibus revela detalhes que só a mãe falecida poderia saber, e deter Eli exige que Samira admita por que ela sente ainda mais vontade de subir que ele.

Escolhas para experimentar

  • Comece pelo perigo concreto: um veículo desconhecido, uma porta aberta e um irmão mais novo perto demais do meio-fio. Deixe o encanto chegar contra a vontade de Samira.
  • Perceba quando Samira para de examinar o ônibus e começa a lutar contra a própria vontade de subir.
  • Faça do pedido final para dividir a chave uma parceria sincera, não outro confisco.

Idade aparente: 12-15

Eli

Quer: Ficar no ponto tempo suficiente para Samira encarar o que o bilhete oferece, parecendo disposto a subir sozinho se ela não escutar.

Enfrenta: Samira pode levá-lo para casa à força, o ônibus parte à meia-noite e Eli não consegue revelar o plano sem abrir mão da única coisa que fez ela parar.

Escolhas para experimentar

  • Não faça Eli parecer imprudente. Ele estudou o bilhete, arrumou a mala de propósito e acredita que o ponto é mais seguro que o silêncio de casa.
  • Deixe cada piada testar se Samira vai falar com franqueza ou apenas atrasar a partida.
  • Na virada, abandone a ameaça de subir. O que Eli quer de verdade é ter a irmã ao lado, seja qual for o destino.
Roteiro completo

O último ônibus para a Lua

EXT. PONTO DE ÔNIBUS - NOITE

Samira entra correndo no abrigo do ponto e encontra Eli junto à faixa amarela, com uma mala pequena, a velha chave da casa da mãe e um bilhete de papel. Um vidro brilhante como a Lua esconde o banco do motorista.

Eli

Você me encontrou mais rápido do que eu esperava. Deixei três direções erradas no bilhete.

Samira

Sai de perto da porta. Agora. Não importa se o seu bilhete foi esperto.

Eli

Devia importar que este ônibus não está no horário.

Samira

Esse é o melhor motivo para não entrar nele.

Eli

A placa diz Último ônibus para a Lua.

Samira

Placas quebram. No mês passado, o seis dizia que ia para o aquário.

Eli

O seis tinha número de linha, motorista e rodas encostando no asfalto. Olha.

Samira

Eu vejo um ônibus com vidros escuros estacionado depois do fim do serviço. Isso não é magia. É caso de polícia.

Eli

Casos de polícia costumam vir com bilhetes impressos com a letra da mãe?

Samira

Onde você achou isso?

Eli

Dentro do atlas de astronomia dela, na página Lugares que ainda precisamos conhecer.

Samira

Esse atlas estava lacrado na minha caixa da mudança.

Eli

Quando você tem pressa, a fita dobra para a esquerda. O bilhete estava esperando nós dois.

Samira pega o bilhete sem cruzar a faixa amarela. O papel está quente apesar do ar frio, e falta um canto recortado em forma de meia-lua.

Samira

Diz um passageiro.

Eli

Coloca debaixo da luz do ponto. A data é hoje, e a partida é à meia-noite.

Samira

Dez horas antes de a mudança levar a nossa casa. Quem fez isso sabia o bastante para assustar você.

Eli

Ou a mãe fez antes de ficar doente, porque sabia que a gente ia precisar hoje.

Samira

Não existe estrada para a Lua, Eli. Mal existe estrada depois da pedreira.

Eli

Eu sei. Tenho treze anos, não sou uma almofada decorativa de Lua. Mas este ônibus não devia estar aqui.

Samira

Então estamos de acordo. Vamos para casa, acordamos o pai e chamamos alguém com lanterna e autoridade.

Eli

Antes eu preciso devolver a chave para a mãe.

Samira

Você trouxe a chave de casa? O pai procura em todas as caixas desde o jantar.

Eli

Ela disse que ia precisar quando voltasse. Amanhã essa chave abre a porta da casa de outra pessoa.

Samira

A mãe não pode usar uma chave. Você sabe.

Eli

Eu sei. Por isso preciso parar de deixar pronta para ela.

Samira

A gente pode deixar na árvore dela de manhã. Não se pega ônibus fantasma para devolver uma chave.

Eli

A árvore é onde os outros decidiram que ela fica. Ela sempre dizia que amava a gente até a Lua e de volta.

Samira

Era uma expressão, não uma dica de viagem. Ela também dizia que você comeria brócolis se fingisse que eram arvorezinhas.

Eli

Eu sei o que é uma expressão. Também sei que você não fala o nome dela há seis meses.

Samira

Não transforma o luto num desafio. Pega a sua mala.

Eli

Nossa casa está dentro de um caminhão. Você começa a faculdade em duas semanas, o pai trabalha à noite e todos os cômodos já têm eco. Que casa você quer dizer?

Samira

A que tem gente que sabe onde você está e portas que não desaparecem à meia-noite.

Eli

Você faz planos como quem marca saída de emergência. Nunca pergunta se eu quero sair da sala.

Samira

Eu garanti o café da manhã, os formulários assinados e o pai de pé. Continuar em movimento foi o que impediu a gente de desabar.

Eli

Você andou tão rápido que ninguém conseguiu parar bem onde a mãe fazia falta.

Samira

Não usa ela para fingir que este ônibus é seguro.

O ônibus prateado abaixa a carroceria com um suspiro mecânico suave. Nenhum motorista aparece. O relógio do ponto marca 23h58, e letras claras surgem na borda do bilhete.

Eli

Estou usando a verdade para fazer você parar.

Samira

Se você colocar um pé lá dentro, eu vou junto. Não vou deixar a última coisa que ela deixou levar você sozinho.

Eli

Ótimo. Era isso que eu estava esperando.

Samira

Seu plano era me assustar para eu subir?

Eli

Meu plano era fazer você ler a linha prateada. Dois irmãos. Uma verdade cada um. Nenhuma porta fecha antes que os dois possam voltar.

Samira

A minha verdade é que, se isto chegar até ela, tenho medo de pedir para ficar. Tenho raiva porque ela morreu e pavor de ela ver como eu me virei mal sem ela.

Eli

Isso basta. A gente não precisa subir. Eu queria você aqui no ponto comigo, não presa na Lua.

Eli coloca a chave na palma aberta de Samira, mas continua segurando a argola. Ela rasga o bilhete ao meio e entrega uma parte para ele. As portas do ônibus fecham sem nenhum passageiro. A placa muda de LUA para CASA antes que o ônibus avance em silêncio pela escuridão.

Samira

Me dá a chave. Não para eu tirar de você. Quero que a gente carregue junto até decidir onde ela fica.

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